Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

AFONSO LOPES VIEIRA

 

DA MEMÓRIA…AFONSO LOPES VIEIRA
 
Leiria, 26.1.1878-Lisboa, 25.1.1946
 
         Ainda criança veio morar para Lisboa, onde faria o Liceu. Com dezoito anos, em 1894, foi estudar para a Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito (1900).
         Após se casar, em 1902, viajou pela Europa, de onde regressou com a ideia de “reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu”. É nesta matriz que se insere, o reavivar da obra literária de Gil Vicente, fazendo com que reaparecesse nos nossos palcos o homem de génio que introduziu o Teatro em Portugal. A sua “Campanha Vicentina” tem como precioso colaborador, o actor Augusto Rosa, que compreendeu os seus ideais.
         As representações vicentinas do «Mestre da Balança» no velho Teatro da República arrebataram o público, tornando-se um exemplo que frutificou em Amélia Rey Colaço, para quem Afonso Lopes Vieira actualizava os textos, ao mesmo tempo que, preparava conferências, que eram autênticas lições de erudição, acessíveis a todas as inteligências.
         A Mestre Gil Vicente seguiu-se o imortal Camões, autor para quem encontra a prestimosa colaboração do professor José Maria Rodrigues. Ambos publicam Os Lusíadas e a Lírica de Luís Vaz, fornecendo um inestimável serviço à cultura nacional.
         Também as suas adaptações de O Romance de Amadis (1922), A «Diana» de Jorge de Montemor (1924) e O Poema do Cid (1929) contribuíram para valorizar a língua portuguesa.
         Grande amigo das crianças escreveu para elas livros como, Animais Nossos Amigos, Conto Infantil, Fernão Mendes no Japão e Bartolomeu Marinheiro. Deste último, aqui fica a conhecida quadra:
 
“Que era o mar antigamente?
Um quarto escuro.
Onde os meninos tinham medo de ir…
O mar agora é amplo e seguro.
E foi um português que o foi abrir!”
 
         O mar foi um dos dois grandes motivos da sua inspiração poética, como se pode constatar, visitando a sua casa de S. Pedro de Muel, ao lado da seiva revigoradora dos cancioneiros e do romanceiro português, como podemos constatar no seguinte poema:
 
 
 
FLORES DO VERDE PINHO
 
Ó meu jardim de saudades,
Verde catedral marinha
E cuja reza caminha
Pelas reboantes naves…
 
Ai flores do verde pinho,
Dizei que novas sabedes
Da minha alma, cujas sedes
Me perderam no caminho!
 
Revejo-te e venho exangue;
Acolhe-me com piedade,
Longo jardim de saudade
Que me puseste no sangue.
 
Ai flores do verde ramo,
Dizei que novas sabedes
Da minha alma, cujas sedes
Ma alongaram do que eu amo!
 
- A tua alma em mim existe
E anda no aroma das flores
Que te falamdos amores
De tudo o que é lindo e triste.
 
A tua alma, com carinho,
Eu guardo-a e deito-a, a cantar,
Das flores do verde pinho
- Àquelas ondas do mar.
 
              (in País Lilás, Desterro Azul)
 
         As obras principais da sua poesia são: Rosas Bravas 1911, Canções do Vento e do Sol 1911, Ilhas de Bruma 1917, País Lilás, Desterro Azul 1922, e Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa 1940.
         Colaborou em revistas como, A Águia 1911, e Lusitânia 1924-1927, publicou a novela Marques 1904, para além de peças de teatro, conferências e ensaios.
         Poeta, prosador, filólogo, investigador, honrou a literatura e a arte portuguesas.
 
*
 
DIÁRIO DO ESCRITOR
 
“Coimbra, 25 de Janeiro de 1979 – É escusado. Cada português que se preza é uma muralha de suficiência contra a qual se quebram todas as vagas da inquietação. Conhece tudo, previu tudo, tem solução para tudo. E quando alguém se apresenta carregado de dúvidas, tolhido de perplexidades, vira-lhe as costas ou tapa os ouvidos. Um mínimo de atenção ao interlocutor seria já uma prova de fraqueza, uma confissão de falibilidade. Quanto mais apertado o seu horizonte intelectual, mais porfia na vulgaridade das certezas que proclama. Não há maneira humilde e cabeçuda dos que se limitam a transmitir sem análise um saber ancestral, mas como um presumido doutor, impante de mediocridade.”
 
MIGUEL TORGA, Diário XIII, Coimbra, 1995, p. 1288.
publicado por cempalavras às 19:33
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