Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

LITERATURA PORTUGUESA

DA MEMÓRIA…JOSÉ LANÇA-COELHO

 

TEOLINDA GERSÃO NA BIBLIOTECA DE CARNAXIDE

 

 

         Hoje, dia 9 de Fevereiro de 2010, a ex-professora catedrática de Literatura Alemã da Universidade Nova de Lisboa e actual escritora, desloca-se à Biblioteca Municipal de Carnaxide para trocar impressões com o Grupo de Leitores desta instituição, que leram o seu livro O Cavalo de Sol 1989.

         Teolinda Gersão nasceu em 1940, e uma das suas primeiras recordações data dos seus cinco anos, quando o seu pai entrou em casa, transvazando uma alegria esfuziante e abraçando todos, por a 2ª Guerra Mundial ter terminado.

         Teolinda não percebeu o que se passava, mas a verdade é que na sua memória estão lembranças como, ‘racionamento’, lâmpadas azuis no tecto, e tiras de papel coladas nas janelas.

         Esclareça-se desde já, que, todas estas informações, e as que adiante se revelarão, foram dadas pela própria escritora numa ‘Autobiografia’ publicada no ‘JL’ de 21 Julho-3 Agosto de 2004.

         Neste documento é notório o grande amor de Teolinda pelos seus pais, sobretudo, pelo pai, médico, o melhor do seu curso, formado com 18 valores, também escritor, mas, que não conseguindo conciliar a medicina com a escrita, optou pela primeira, apesar de, com uma nobreza de ‘João Semana’, nunca ter tido consultório próprio, pois era médico de saúde pública e atender gratuitamente, a sua clientela que era muito pobre.

         É também curiosa a referência que faz aos livros, dizendo que eles sempre existiram em profusão na sua casa, sendo completamente indispensáveis, podendo não haver dinheiro para outras coisas, mas tendo que existir sempre para esses verdadeiros amigos.

         Teolinda começa então a escrever nas agendas clínicas que o pai lhe oferece, e o modo como surgem as personagens dos seus contos é muito curiosa – as “figuras dos prospectos de propaganda médica, coloridas e em várias qualidades e texturas de papel. Olhava-as, juntava-as ou separava-as, imaginando quem eram e o que fariam. Preferia sempre vê-las em perspectiva, por isso as recortava e reorganizava de outros modos no espaço. Não sabia que começava precisamente aí a minha relação com o teatro.”

         A música é também uma grande referência na vida de Teolinda. A escritora começou a tocar piano com 7 anos no Conservatório Regional de Coimbra, actividade que prosseguiu sistematicamente até aos 18. Porém, ainda hoje de serve de uma clavinova com auscultadores, para não perturbar os seus familiares.

         Teolinda Gersão termina esta sua ‘Autobiografia’ com duas referências a outros tantos vultos da Literatura – Miguel Torga e Vitorino Nemésio, que, na minha opinião, um leitor quotidiano do Diário e admirador da obra do primeiro, vale a pena reproduzir na íntegra: “Havia Torga e Nemésio, que, para além de outras razões mais ponderosas, me “pertenciam” também por razões enviesadas: Torga porque morava perto de mim e vinha para casa no mesmo eléctrico do que eu, Nemésio (que eu via menos, porque se mudara para Lisboa, mas nos visitava às vezes), porque tinha um filho afilhado de uma das minhas tias, que lhe dera o mesmo nome doo meu pai.”

         As referências a Torga não se ficam por aqui, elas são uma constante nas entrevistas dadas pela escritora. Como exemplo disso, aqui fica um fragmento de uma, da VISÃO de 16 de Março de 2000 em que diz, que devido à censura, se ficou por uns pequenos textos que mostrava a Torga, amigo de seu pai, com quem conviveu e que define assim: “Ele era um crítico severo, mas muito estimulante. Achava que eu devia escrever. Mas sempre tive consciência do enorme investimento que a escrita constitui e perante a censura…Torga era um símbolo daqueles que ousavam.”

          Algumas obras de Teolinda Gersão: O Silêncio 1981 (Prémio de Ficção do Pen Clube), História do Homem na Gaiola e do Pássaro Encarnado 1982 (Literatura Infantil), Os Guarda-Chuvas Cintilantes 1984 (diário), A Casa da Cabeça do Cavalo 1995 (Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Os Teclados 1999.

publicado por cempalavras às 00:02
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