Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

POESIA DE JOSÉ LANÇA-COELHO

SE AS FLORES TAMBÉM MORREM…

 

Olhando o jardim fico surpreendido,

De não ver abertas as flores que

ainda ontem, de corpo inteiro,

Aquelas brancas com uma larga corola,

iluminavam de alegria este canteiro.

 

Quem conhece a mágica vida das flores,

Diz-me que o tempo delas já passou,

Que são caducas como os humanos,

Tendo um prazo de vida que se esfumou.

 

Porém, essa caducidade

é apenas um estado,

dentro da perenidade,

a que fui votado.

 

E eu que quando penso na morte,

Só me lembro das pessoas que amo

Sou obrigado a interiorizar que,

Se as flores também morrem…,

Como tudo o que é natural,

Por que não hão-de morrer os humanos?

 

Monte do Carrascal, Alentejo, 25 de Maio de 2010

 

 

 

 

 

publicado por cempalavras às 22:13
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