Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

POEMAS DE JOSÉ LANÇA-COELHO

 



ÁGUA

 

 

Analiso

Os quatro elementos primordiais

Da Natureza

(Água, Terra, Ar e Fogo)

aceites pelos Gregos,

e no âmago da Terra,

- na planície alentejana

que sempre desejei,

onde mergulho e me fundo –

descubro o poder da Água

- o fabuloso líquido amniótico –

onde me renovo e amadureço,

no transparente de uma piscina.

 

Monte do Carrascal, Alentejo, 6 de Junho de 2010.

 

MINHA AMADA NATUREZA

 

O que me fascina

nestes banhos de natureza,

que tomo aqui no Alentejo,

é a ordem natural com

que as coisas são feitas.

 

O feno já está suficientemente

alto, para ser cortado,

só que antes dele, há ainda

tanta coisa para fazer,

como apanhar as batatas,

matar o porco,

sulfatar a vinha,

plantar o arroz.

 

A burra que espere,

que vá comendo a erva

do chão do caminho,

até que as refeições de feno

se possam servir nesta ordem mágica

que tem a minha amada natureza.

Monte do Carrascal, Alentejo, 22 de Maio de 2010

 

 

ADIVINHA COLORIDA

 

 

Qual é coisa,

Qual é ela,

Que é,

Roxo, violeta,

Amarelo, verde,

Branco, azul,

Não é o arco-íris,

Nem uma tela de linho,

Nem a paleta de um pintor,

Nem um livro para pintar,

Ondula como o mar,

Mas não tem água,

Abana com o vento,

Mas não é canavial,

Não é manta de retalhos,

Mas proporciona o melhor sono?

 

É a planície alentejana,

Abençoada pela natureza,

Num dia de Primavera,

Com flores a despontarem

Por tudo o que é lugar.

 

Monte do Carrascal, Alentejo, 24 de Maio de 2010

 

 

 

 

 

 

 

SE AS FLORES TAMBÉM MORREM…

 

Olhando o jardim fico surpreendido,

De não ver abertas as flores que

ainda ontem, de corpo inteiro,

Aquelas brancas com uma larga corola,

iluminavam de alegria este canteiro.

 

Quem conhece a mágica vida das flores,

Diz-me que o tempo delas já passou,

Que são caducas como os humanos,

Tendo um prazo de vida que se esfumou.

 

Porém, essa caducidade

é apenas um estado,

dentro da perenidade,

a que fui votado.

 

E eu que quando penso na morte,

Só me lembro das pessoas que amo

Sou obrigado a interiorizar que,

Se as flores também morrem…,

Como tudo o que é natural,

Por que não hão-de morrer os humanos?

 

Monte do Carrascal, Alentejo, 25 de Maio de 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por cempalavras às 23:08
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