Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

13 DE JUNHO DE 1888 - NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA

NO 122º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA

 

JOAQUIM MOURA COSTA SEMI-HETERÓNIMO DESCONHECIDO

 

         Joaquim Moura Costa é um desconhecido semi-heterónimo e um dos revolucionários criados pelo génio multifacetado do grande criador Fernando Pessoa.

         Visou vários alvos, todos manifestações da mesma decadência. As sátiras mais cuidadas visaram os políticos da Monarquia e a Igreja Católica.

         Participou em dois jornais feitos por Pessoa: “O Phosphoro” e “O Iconoclasta”.

         Muitas das suas poesias são altamente pornográficas, não se podendo publicar neste local, como uma dedicada à homossexualidade de Fialho de Almeida, embora Fernando Pessoa a aceitasse e lhe tivesse dado existência no heterónimo Álvaro de Campos.

         Entre os criticados por Joaquim Moura Costa/Fernando Pessoa salienta-se o poeta Augusto Gil, como se pode constatar na poesia que se segue:

 

“Vejo que rimas sem custo” – 30/3/1909

 

Vejo que rimas sem custo

E que o verso que te sabe justo

Sem confusão se interpreta.

P’ra seres poeta, Augusto,

Só te falta ser poeta.

 

         Também os plagiadores não escapam à crítica mordaz deste desconhecido semi-heterónimo a que Pessoa atribuiu o nome de Joaquim Moura Costa, como se vê neste poema escrito um ano antes da implantação da República:

 

“A UM PLAGIARIO” – 7/1/1909

 

Copiaste? Fizeste bem.

Copia mais, sem canceira,

Copia, pilha, retém.

É a única maneira

De não escreveres asneira.

 

         Já que falámos na República, aqui fica a sátira feita por Joaquim Moura Costa à rainha e mulher de D. Carlos, assassinado no Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, juntamente com o príncipe herdeiro Luís Filipe.

 

“A RAINHA D. AMELIA” – 20/4/1910

 

A Rainha D. Amélia

Se não dissesse que arrelia,

Rimava, mal seria

O mais certo é que arrelia.

 

         Também os bajuladores, os situacionistas, os que vergam a cerviz para de qualquer modo conseguirem os seus intentos menos escrupulosos, (como “o Barão/ [que] Beijou ao Ramiro o anel…/”) são ridicularizados até ao extremo, só não se consumando a submissão total (Podia beijar-lhe o rabo/) por ter um nariz grande:

 

 

“BEIJA-MÃO” – sem data

 

Então dizem que o Barão

Que ocupa o lugar cruel

De chefe da situação

Beijou ao Ramiro o anel…

Foi para levar o cabo

Tudo a bem.

Creio que diz.

Foi sinal de submissão

Pois isso fez só que não

Podia beijar-lhe o rabo

Por lho impedir o nariz.

 

         A terminar diga-se que, Joaquim Moura da Costa é um dos setenta e sete heterónimos de Fernando Pessoa até hoje descobertos nos papéis do baú.

 

                                                                         JOSÉ LANÇA-COELHO

 

 

 

 

 

publicado por cempalavras às 23:13
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