Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

RECENSÃO CRITICA DE UM LIVRO

‘MATARAM O SIDÓNIO!’, FRANCISCO MOITA FLORES

 

         Definiria este livro como um policial erudito, passado em 1918, cuja temática é o nunca explicado assassínio do Presidente da República da altura (o indigitado assassino, José Júlio da Costa, não foi o matador e acabou por morrer sem nunca ser julgado), integrado no nascimento das ciências forenses em Portugal, repartindo-se pelos grandes cientistas estrangeiros que acompanham esta revolução e os portugueses contemporâneos que deixaram o seu nome ligado:

a) às várias correntes científicas que despontavam na época, onde se incluem, o personagem principal, Asdrúbal d’Aguiar, e o seu chefe no Instituto de Medicina Legal, e secretário de Estado do Comércio no Governo de Sidónio, Azevedo Neves;

b) à ideologia política da altura, Teófilo, Relvas, Junqueiro;

c) às Artes e Letras, Palmira Bastos, Júlia Florista, e até, o poeta Pessoa, com quem Asdrúbal tem um encontro fortuito no ‘Martinho da Arcada’ e que, por um lado, fala das tendências espirituais da época, como é o espiritismo, aconselhando-o a ler Alan Kardec, e, por outro, servindo-se da sua íntima multiplicação heteronimica diz ao médico legista, “Apareça. Mesmo que eu seja outro, aqui estarei sentado e firme no combate que travo contra o absinto, neste campo de batalha.” (p. 245).

         O enredo do livro resume-se ao seguinte: o médico-legista Asdrúbal d’Aguiar, casado com Glória, é nomeado director interino do Instituto de Medicina Legal, enquanto o seu chefe, o monárquico Azevedo Neves desempenha funções no Governo de Sidónio. O casal tem uma empregada que, morre da terrível influenza (a ‘espanhola’, como a designam vulgarmente), que tem uma bonita filha chamada Ana Rosa. Esta, conhece um jovem de 22 anos, bagageiro na estação do Rossio e que possui uma arma. Glória, a mulher de Asdrúbal, é também uma vítima da gripe. Asdrúbal acaba por se envolver sentimentalmente com Ana Rosa, depois de esta lhe ter contado que o bagageiro do Rossio lhe dissera que a sua arma era para matar Sidónio. Asdrúbal investiga o local do crime e chega a conclusões surpreendentes.

Classificação – 10.

PRÓS- Romance histórico bem conseguido; CONTRAS- Não tem.

 

* José Lança-Coelho (Professor jubilado)

 

publicado por cempalavras às 23:28
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3 comentários:
De rui silva a 19 de Junho de 2010 às 10:00
Uma pergunta: o livro refere, em algum ponto, a célebre Comuna da Luz, fundada por um trisavô meu e frequentemente implicada no assassinato de Sidónio Pais?


De cempalavras a 23 de Junho de 2010 às 23:58
RUI: INFELIZMENTE O LIVRO NÃO FALA DA COMUNA QUE FALAS. MAS COMO FIQUEI CURIOSO, AGRADECIA-TE QUE ME DESSES PORMENORES SOBRE ELA, PARA EU INVESTIGAR. ABRAÇO.


De rui silva a 24 de Junho de 2010 às 17:02
Já enviei algumas referências por e-mail.
Um abraço
Rui


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