Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

HISTÓRIA DA CULTURA PORTUGUESA

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

 

SAMPAIO BRUNO, TEIXEIRA REGO E CAMILO CASTELO BRANCO POR AGOSTINHO DA SILVA

 

 

         Agostinho da Silva no seu livro Ir à Índia sem Abandonar Portugal, mais especificamente no capítulo intitulado ‘A Cidade do Porto’ (p. 29), tece interessantes considerações que têm como intervenientes Sampaio Bruno (1857-1915), Teixeira Rego (1880-1934) e Camilo Castelo Branco (1825-1890).

         Agostinho da Silva diz que Teixeira Rego foi o professor que mais seguiu e admirou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, cujas habilitações literárias eram a 3ª classe da Instrução Primária ou o 3º ano do liceu, pois isso, nunca ninguém o averiguou.

         Porém, as suas habilitações literárias oficiais nada tinham que ver com as privadas, uma vez que, desde menino, Teixeira Rego, ia muito cedo para a Biblioteca Municipal do Porto ler tudo o que apanhava à mão.

         Ainda de acordo com o testemunho de Agostinho da Silva, Sampaio Bruno, que era o director da Biblioteca Municipal, um dia, ao entrar nesta instituição, viu aquele menino a ler. Aproximou-se dele e ficou surpreendido com a matéria que ocupava a sua atenção. Porém, Agostinho da Silva não nos sabe informar, qual a matéria que Teixeira Rego indagava.

         A partir deste momento, Sampaio Bruno interessou-se a fundo com a educação daquela criança precocemente inteligente, e de tal modo o guiou que, quando fundaram no Porto, simultaneamente, a Faculdade de Letras e o Instituto Superior de Comércio, houve a dúvida de pôr Teixeira Rego, na primeira instituição a dar aulas de Gramática Comparativa das Línguas Românicas, ou na segunda, a ministrar Matemáticas Gerais.

         Agostinho da Silva confessa então, que, para sua sorte, Teixeira Rego foi colocado como professor de Gramática Comparativa das Línguas Românicas na Faculdade de Letras do Porto, facto que levou Agostinho da Silva a ser seu aluno e a conhecer o homem extraordinário que ele era.

         O autor de Ir à Índia sem Abandonar Portugal afirma que, no Porto que conheceu, haviam duas tradições. A referida até este momento, a que chama a de Sampaio Bruno, e uma outra que envolve o nome do homem de S. Miguel de Seide.

         Na verdade, Agostinho da Silva afirma ter conhecido lojistas estabelecidos “em frente à estação de S. Bento que ainda tinham uma raiva danada do Camilo, porque o Camilo dizia mal deles (…)”.

         Para além destas tradições do seu tempo, Agostinho da Silva refere ainda que havia o hábito de conversar em redor da estátua do rei D. Pedro IV (1798-1834), local que afirma ser “uma verdadeira universidade”, em que se encontrava gente muito interessante, não só portuguesa, mas também espanhola, porque o Porto ficava no caminho para Espinho, havendo muitos espanhóis, principalmente de Salamanca, que quando queriam ir à praia, lhes dava mais jeito deslocarem-se a Espinho do que à distante costa espanhola, como eram os casos de Unamuno (1864-1936) e Carracid.

publicado por cempalavras às 22:04
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9 comentários:
De poetaporkedeusker a 7 de Outubro de 2010 às 15:28
Espantosa, essa referência a Teixeira Rego! Não faço a menor ideia se fez, ou não, parte do círculo de amigos do meu avô... tenho, no álbum do sapo, fotografias de inúmeras personalidades cujos nomes desconheço completamente. Se a minha tia Juca ainda fosse viva, seria uma preciosa ajuda nesta matéria. Era a irmã mais nova do António de Sousa, que faleceu há cerca de um ano. Eu só me consigo recordar daqueles que tinham uma presença quase diária naquela casa da Rua Luís de Camões. Tinha cinco anos quando morreu o Manuel Ribeiro de Pavia e nunca o esqueci... ele fascinava-me com as suas canetas de tinta Nanquim e os seus carvões. Sei que a primeira homenagem feita ao pintor foi organizada pelo meu avô e pelo Gaspar Simões e que a 2ª edição de O Livro de Bordo termina com uma Segunda Carta de Longe, dedicada a ele... a memória termina aí...
Abraço!


De cempalavras a 7 de Outubro de 2010 às 22:20
Rui: são memórias óptimas. Quem me dera tê-las. O meu avô também era republicano, esperantista e fundador de uma cooperativa de consumo em pleno Estado Novo. um abraço


De poetaporkedeusker a 8 de Outubro de 2010 às 12:08
Que maravilha!
:/ mas eu não sou o Rui! Sou a Maria João.
Abraço gde!


De cempalavras a 8 de Outubro de 2010 às 17:59
Mª JOÃO, PEÇO IMENSO DESCULPA, MAS METI NA CABEÇA QUE O BLOG 'POETAPORKEDEUSKER' ERA DE UM RUI. ABRAÇO.


De poetaporkedeusker a 11 de Outubro de 2010 às 11:56
:) Não se preocupe! Eu estranhei, mas estou habituada às minhas confusões particulares :) Então no que diz respeito à falta de memória e à incapacidade de reconhecer as pessoas fora do contexto em que me são apresentadas, é um verdadeiro drama. É que nem consegue imaginar!
Um abraço!


De cempalavras a 11 de Outubro de 2010 às 22:56
Mª JOÃO: OBRIGADO PELAS SUAS AMÁVEIS PALAVRAS. VENHO CONVIDÁLA, CASO POSSA, CLARO, PARA DUAS ACTIVIDADES CULTURAIS EM QUE VOU PARTICIPAR:
15 OUT 2010, 16H30M- PALESTRA SOBRE "A IMPRENSA REPUBLICANA NO CONCELHO DE OEIRAS" NO AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA MUNICIPIAL DE OEIRAS;

22 OUT 2010 - LANÇAMENTO DO Nº6 DA REVISTA 'NOVA ÁGUIA' COM A PARTICIPAÇÁO DOS ESCRITORES MIGUEL REAL E RENATO EPIFÂNEO, NO AUDITÓRIO CÉSAR BATALHA,GALERIAS ALTO DA BARRA, OEIRAS.


De poetaporkedeusker a 12 de Outubro de 2010 às 12:36
MUITO GRATA PELO CONVITE, JOSÉ.
FAREI OS POSSÍVEIS POR ESTAR PRESENTE EM AMBOS OS EVENTOS, MUITO EMBORA A MINHA SITUAÇÃO FINANCEIRA FREQUENTEMENTE ME NÃO PERMITA NEM SEQUER PODER DESPENDER OS 50 CS DA COMBUS.
ESPERO QUE ENTENDA QUE NÃO ESTOU A DIZER ISTO POR PURO EXIBICIONISMO. É UMA REALIDADE COM A QUAL ME CONFRONTO DIARIAMENTE E QUE NÃO TENHO VERGONHA NENHUMA DE RELATAR.
UM ABRAÇO!


De cempalavras a 12 de Outubro de 2010 às 17:51
Mª JOÃO: COMPREENDO PERFEITAMENTE, POIS EU DESDE QUE ME REFORMEI DO ENSINO, TAMBÉM NÃO NADO EM DINHEIRO, COMO A MAIORIA DOS PORTUGUESES. SE NÃO PUDER IR NÃO TEM QUALQUER PROBLEMA, EU DEPOOIS ESCREVO SOBRE O QUE SE PASSOU. ABRAÇO.


De poetaporkedeusker a 14 de Outubro de 2010 às 12:28
BOM DIA, JOSÉ.
TROUXE COMIGO A CAPA DO PRIMEIRO DE JANEIRO DE 16 DE DEZEMBRO DE 1971, QUE TRAZ UM ARTIGO COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO MEU BISAVÔ - PAI DO POETA ANTÓNIO DE SOUSA - E QUE JÁ NÃO ESTÁ NAS MELHORES CONDIÇÕES DE CONSERVAÇÃO. DEPOIS TENTAREI DIGITALIZAR O ARTIGO, MAS POSSO AGORA ACRESCENTAR QUE ELE FOI O PRIMEIRO MINISTRO DA INSTRUÇÃO DA PRIMEIRA REPÚBLICA. INFELIZMENTE O ARTIGO CONTINUA NA PÁGINA 17 QUE... DESAPARECEU, NÃO FAÇO IDEIA COMO. MAS TENHO EM CASA JORNAIS MAIS ANTIGOS QUE, ESPERO, ESTEJAM COMPLETOS.
NO ENTANTO MANTENHO O QUE TINHA AFIRMADO ONTEM; FOI ELE QUEM LIDEROU O COMBATE AO TIFO E À PESTE (PNEUMÓNICA E BUBÓNICA) NO NORTE DO PAÍS E NOS AÇORES.
UM ABRAÇO.


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