Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

HISTÓRIA UNIVERSAL

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

 

SISSI – IMPERATRIZ IMORTALIZADA PELA 7ª ARTE

 

SISSI – IMPERATRIZ ISABEL DA BAVIERA, nasceu em Munique, a 24 de Dezembro de 1837 e, faleceu em Genebra, a 10 de Setembro de 1898, conhecida como Sissi da Áustria e da Hungria, casada com o Imperador FRANCISCO JOSÉ I, com quem casou com 16 anos.

Teve dificuldades em adaptar-se à etiqueta da corte de Habsburgo, o que a levou a entrar em depressão, para a qual contribuiu também, a solidão matrimonial, uma vez que o marido ocupado com a gestão do império, estava quase sempre ausente.

Em 1860, esteve na ilha da Madeira, depois de deixar Viena, diagnosticada com uma doença pulmonar, que devia ser psicossomática. Teve quatro filhos, mas foi impedida de exercer qualquer influência sobre eles, pala avó paterna, a rainha Sofia que se referia a ela, quando falava com os netos, como “a tola da vossa mãe”. Era anoréxica, fazendo dietas exageradas em que tudo era reduzido a líquido, chegando a ter 45 quilos, com a sua altura de 1, 73m. Teve diversos amantes. Lia numerosos livros gregos, interessando-se pela cultura grega antiga e contemporânea, e também pela língua grega, daí que a poesia que escreveu se refira à Grécia clássica, a temas românticos, e às suas viagens. Foi assassinada em Genebra, na Suíça, - quando saía do hotel e se deslocava para o barco onde ia passear no lago – por um anarquista italiano, Luigi Lucheni, que a golpeou no coração com um fino estilete em forma de agulha.

O cinema imortalizou-a através de quatro filmes, interpretada pela actriz Romy Schneider, onde a imperatriz era apresentada como uma mulher com uma personalidade íntegra e intocável, portanto, muito longe da realidade.

         Ouçamos o que diz Cláudio Magris, filósofo e escritor italiano, no seu portentoso livro Danúbio, acerca da imperatriz:

         “ Há em Sissi uma pureza hermafrodita, que detesta a natureza física do sexo e só sabe amar na submissão e na ausência.

         Na sua exaltação, a imperatriz pensava que os seus versos, banais e muitas vezes ocos, lhe eram ditados do além, através de um contacto mediúnico, por Heine. Isabel escreve realmente «à Heine», segundo a melodia e o reportório lírico heiniano que no século XIX, descobria inúmeros imitadores e repetidores, a ponto de formar uma autêntica linguagem poética estereotipada.

         A poesia de Sissi não reside na sua obra escrita, menos do que medíocre, mas na tensão entre uma dor solitária e a generalidade da sua expressão. As poesias da imperatriz são um diário poético de toda a gente e de ninguém; mas este destino, que aproxima a soberana de tantos literatos mais afortunados, faz dela uma personagem pequena mas real no mundo da literatura, no diálogo repetido entre a voz do coração e as «palavras, palavras, palavras». ( Cláudio Magris, Danúbio, pp. 193-195)

 

publicado por cempalavras às 23:08
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