Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

1968

 

DA MEMÓRIA…JOSÉ LANÇA-COELHO
 
REENCONTRO COM “OS CHINCHILAS” 40 ANOS DEPOIS
 
            Quando era adolescente e ouvia alguém dizer que reencontrara alguém ou falar de um acontecimento que se passara há 40 ou 50 anos, fazia-me imensa confusão. Porém, agora, que estou perto dos 60 de idade, isso já não me faz qualquer impressão e, até acho muito natural. Deste modo, o episódio que a seguir recordo, prende-se com essa problemática do tempo que, na opinião do filósofo e escritor Eduardo Lourenço, foi a melhor invenção de Deus, uma vez que marca sem ambiguidades e simultaneamente a caducidade humana e a perenidade deística.
            Em 1964, estava no meu 4º ano (o actual 8º) tive como condiscípulo de turma, um adolescente como eu, de nome Alfredo Azinheira, que passava as aulas a desenhar violas eléctricas que eram autênticos bacalhaus disformes. Enquanto a professora de qualquer disciplina explicava a matéria, o bom do Azinheira, desenhava violas-baixo de 4 cordas, instrumento que ele tocava num afamado grupo de rock português da época que dava pelo prosaico nome de “Os Chinchilas”. Se pensarmos que o meu grupo preferido de todos os tempos era “The Beatles” que, traduzido para português, era “Os Escaravelhos”, a coisa não ia nada mal, pois ambos eram nomes de animais, e, se no celebérrimo grupo de Liverpool, a minha maior “paixão” ia, na época, para Paul McCartney, também viola-baixo, a coisa ia ainda melhor.
            Quatro anos depois, veio viver para junto de minha casa em Paço de Arcos, um rapaz venezuelano, que estudava no Instituto Espanhol, cujo nome, diminutivo, era Pino, e que partilhava comigo duas paixões, a música e o futebol. Assim, depois de alguns jogos, pegou na viola, tocou as músicas que estavam na berra e, confessou que era um dos “Chinchilas”. Falei-lhe no Azinheira, ele achou piada á coincidência de este ter sido meu condiscípulo e convidou-me para o ensaio do grupo, que se realizaria na sua garagem. Nessa tarde, reencontrei o Azinheira (viola-baixo), conheci o Filipe Mendes (viola-solo), o “Chopin” (órgão), o Vítor Mamede (bateria) e, fiquei a saber que o meu vizinho Pino era o viola-ritmo do grupo. Desde esse dia, escusado será dizer que, não me lembra de falhar um ensaio. Além de originais, “Os Chinchilas” tocavam toda a boa música dos anos 60 – Beatles, Stones, Animals, Spencer Davis, etc.,etc.
            O tempo passou e nunca mais vi ninguém de “Os Chinchilas” ao vivo, e digo assim, porque, de tempos a tempos, via alguns na televisão. O Vítor durante anos tocou bateria com o já falecido Thilo Krassman, o Azinheira ganhou um Festival da Canção da RTP e representou o país no anual Festival da Eurovisão, e o Filipe teve um grupo chamado “Heavyband”, e depois tocou nos “Ena pá 2000”.
            Há cerca de um mês, ao fazer ‘zapping’, passei na RTP1 e, no programa da Catarina Furtado, para minha grande surpresa, vejo “Os Chinchilas”, porém, sem as presenças do Azinheira e do Pino. Julguei que se tratava da reunião do grupo, apenas, para o programa, com o objectivo de relembrar os anos 60, embora saiba que actualmente se vive uma onda de revivalismo que tem levado muitas bandas a juntarem-    -se depois de anos afastados, como por exemplo, Led Zepelin, Police, Eagles, etc., e até os portugueses Sheiks.
            O que é verdade, é que a semana passada, também em Paço de Arcos, vejo um carro parar ao lado do meu, de onde saiu uma cara minha conhecida. Perguntei-lhe, “És o Filipe Mendes?”, a resposta foi afirmativa. Depois chegou o Chopin e o Vítor. Os dois primeiros lembravam-se de mim, mas não sabiam donde. Recordei-lhes de onde nos conhecíamos, e eles, não só me disseram que se juntaram de novo, como também,  me convidaram para aparecer nos ensaios.
            “E o Pino, e o Azinheira, o que é feito deles?”, inquiri, pois não os vira no citado programa da RTP1.
            Então, soube, que o Pino vive em Itália, explicou o Chopin, e o Azinheira não souberam dele durante muito tempo, mas, finalmente, parece que o localizaram como habitando em Paço de Arcos, como disse o Vítor.
            Portanto, dentro de pouco tempo, aí teremos “Os Chinchilas” a tocar a boa música dos anos 60!
publicado por cempalavras às 22:32
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