Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

MARQUÊS DE POMBAL

 

DA MEMÓRIA…JOSÉ LANÇA-COELHO
 
A FAMÍLIA DO MARQUÊS DE POMBAL
 
            Os pais de Sebastião José eram Manuel de Carvalho e Ataíde, capitão-tenente do Mar e da Guerra, e D. Teresa Luísa de Mendonça.
            Notemos agora a origem de cada um deles. Comecemos pela mãe daquele que virá a ser conde de Oeiras. Esta, nasceu do casamento de João de Almada e Melo, - comissário de cavalaria da Beira, alcaide-mór de Palmela e senhor dos morgados de Olivais e do Souto -, com D. Maior Luísa de Mendonça, filha de Francisco de Mendonça Furtado, alcaide-mór de Mourão, comendador de Vila Franca de Xira e governador do presídio de Mazagão. Com estes ancestrais, conclui-se que, no sangue materno, o futuro marquês de Pombal, possuía uma ascendência ligada à carreira das armas na metrópole e no ultramar, sendo trisneto de Pedro Mendonça Furtado, que desempenhara           um papel fundamental na aclamação de D. João IV.
            Relativamente ao pai do futuro marquês de Pombal, Manuel de Carvalho e Ataíde, este era filho de Sebastião José Carvalho e Melo, (verificando-se portanto que avô e neto têm o mesmo nome), e de D. Leonor Maria de Ataíde, que era filha de Gonçalo da Costa Coutinho, moço fidalgo e cavaleiro da Ordem de Cristo, governador das praças marítimas de Aveiro, Buarcos e Figueira, e de D. Isabel de Ataíde e Azevedo, filha do doutor Gaspar da Costa, o qual durante o reinado de Filipe III de Espanha, IIº de Portugal, foi o primeiro Chanceler da Relação da Baía, sendo sua mulher D. Leonor Ramalho de Vilhena, filha de Francisco Ramalho de Queirós e bisneta de Simão da Costa do Amaral, coronel da gente da Beira que morreu na trágica batalha de Alcácer-Quibir. De acordo com a anterior árvore genealógica, pode constatar-se que, pelo lado paterno, havia no sangue do futuro Pombal, a marca de nobres, militares e jurisconsultos.
            Avancemos um pouco na vida do Marquês de Pombal, até à época em que foi nomeado Secretário de Estado. Parte da alta Nobreza opôs-se a esta escolha, procurando atingir Carvalho e Melo pela sua apagada origem familiar, começando a nomeá-lo como «o fidalgote dos Carvalhos da Rua Formosa». Já o pai de Sebastião José, com as suas pesquisas genealógicas tentara elevar o grau nobiliárquico da sua casa, no que foi seguido pelo filho, ambos tentando provar que os Carvalhos era o mais antigo morgado português. (1)
            A origem da família de Pombal, embora não radique na nobreza de primeira água, não é tão baixa como os nobres do seu tempo insinuaram. Ela provém de Sernancelhe, Beira duriense, onde nos finais do séc. XV vivia um Mestre Sebastião de Carvalho, nascido por volta de 1467 e «criado», o que significava médico ou simples ajudante, do doutor Mestre Fernando. Dele nasceu um filho com o mesmo nome, que deu origem a Belchior Carvalho. Este último casou com Verónica Pinto, união de que nasceu o doutor Sebastião de Carvalho, da Relação do Porto e do Desembargo do Paço, que no tempo de Filipe III esteve no Brasil a dirigir a devassa sobre as vigarices                 do pau-brasil e a visitar as alfândegas.
            Do casamento do desembargador com D. Maria Braga de Figueiredo, nasceu Paulo de Carvalho, também Desembargador do Paço, que iniciou a instalação da família na Rua Formosa, em Lisboa, no início do séc. XVII. Um irmão deste, de nome Sebastião, também desembargador do Paço, pelo casamento com D. Luísa de Melo, teve em 1618, um filho chamado Sebastião José de Carvalho e Melo, avô e homónimo do Marquês de Pombal. Este Sebastião, avô de Pombal, que, como vimos acima, casou com D. Leonor de Ataíde, arrogou-se à posse do morgado dos Carvalhos, pertença dos condes de Atouguia.
            De acordo com Mário Domingues (2), relativamente à ascendência de Pombal, este terá tido como seus avoengos remotos, um padre, de nome Sebastião da Mata-Escura e uma mulher de raça negra, talvez escrava, de nome Marta Fernandes, no entanto, nada nele demonstrava qualquer característica rácica relativa a essa avó, apresentando um tipo bem marcado de euro-caucasiano. Apesar disso, os seus inimigos referiam esta longínqua ascendência para o amesquinhar.
            Após a morte do pai, ocorrida em 14 de Março de 1720, o futuro conde de Oeiras, segundo Agustina (3), refugia-se no berço dos Ataídes, na quinta cujo morgadio era pertença da sua tia-avó Leonor Maria de Ataíde, freira professa no Mosteiro da Madre de Deus, em Lisboa. Será para este lugar que Sebastião José virá viver com a sua primeira mulher, D. Teresa, onde levou uma vida de estudo e algum divertimento, pois gostava da conversa e da companhia dos vizinhos.
 
 
NOTAS:
(1)   Joaquim Veríssimo Serrão, O Marquês de Pombal – o Homem, o Diplomata e o Estadista, CML, CMO, CMS, Lisboa, 1982, p. 13, n. 10 (Actualmente sabe-se que o senhorio e morgado dos Carvalhos não pertenceu ao avô de Pombal, e que foi este último, com o objectivo de nobilitar a família, que se apropriou dele, em 1759, após a morte do conde de Atouguia).
(2)   Mário Domingues, Marquês de Pombal – O Homem e a sua Época, Prefácio – Edição de Livros e Revistas, Lda, Lisboa, 2002, p. 30.

Agustina Bessa-Luis, Sebastião José, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1981, p. 13.

publicado por cempalavras às 23:04
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