Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

MARQUÊS DE POMBAL

 

DA MEMÓRIA…JOSÉ LANÇA-COELHO
 
A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL NA JUVENTUDE DO MARQUÊS DE POMBAL
 
            Embora pouco ou nada se saiba da juventude de Sebastião José de Carvalho e Melo, podemos imaginar como o futuro Conde de Oeiras se terá movido na sociedade do seu tempo, uma vez que existem diversos retratos da sociedade portuguesa no século XVIII.
            Deste modo, não é extemporâneo nem escabroso, se imaginarmos Carvalho e Melo a bater-se em duelo, após uma noitada de estúrdia, numa viela mal iluminada pelo luar, com os pés atolados na lama de uma rua com o piso em terra, onde, para além da água da impiedosa chuva, outros líquidos menos ortodoxos, juntamente com imundícies de toda a espécie, são lançados das janelas para o exterior, acompanhados do grito de aviso mas sobejamente conhecido, de «água vai!».
            Esta vida de boémia da nobreza tinha como modelo tutelar o príncipe D. Francisco, irmão do rei D. João V, que, após excessos de toda a ordem, veio a falecer com uma indigestão de lagosta. Daí que, a maioria dos jovens nobres que viviam no tédio de não terem uma profissão, tivessem como arquétipo, as comezainas a qualquer hora regadas com o vinho que podiam aguentar, o bater-se em duelo como se estivessem em plena guerra, coleccionar o máximo possível de corações de donzelas, armar zaragatas por motivos fúteis e insignificantes, cavalgar com garbo e pegar um touro de caras. Saliente-se também que, por esta época, a fidalguia levava a cabo em festas da corte, um tipo de ‘justas’, que eram reminiscências dos torneios medievais.
            O jovem Sebastião José que terá vivido desde a morte do seu pai, ocorrida a 21 de Março de 1720, até aos vinte anos, a expensas do tio Paulo de Carvalho, passou grande parte da sua juventude em Soure (Coimbra), onde levou uma vida austera e de muito estudo, revelando bastantes conhecimentos de História, perfeitas noções de Direito, e, a problemática que rodeava a agricultura, actividade que considerava a principal para o progresso das pessoas e do país.
Não tendo frequentado a Universidade de Coimbra, é muito provável que, de acordo com um costume da época, tenha sido ensinado por um padre-mestre, que lhe transmitiu os primeiros conhecimentos de leitura, escrita, aritmética, gramática e latim, educação que o terá conduzido posteriormente ao convívio com os clássicos, embora esta aprendizagem se tenha realizado em Lisboa, provavelmente no Convento Franciscano de Nossa Senhora de Jesus, que ficava ao lado do solar dos Carvalhos.
Saliente-se, também, que na casa da rua Formosa, funcionou entre os anos de 1717 e 1720, a Academia dos Ilustrados, patrocinada pelo avô de Sebastião José, que se consagrava a dissertações de Filosofia e de Literatura, e tendo como animador o seu pai. Este, na sessão de 20 de Dezembro de 1717 leu as regras de história e da política segundo a perspectiva aristotélica. Entre os assistentes destas sessões, para além do futuro marquês de Pombal, contavam-se os marqueses de Valença e de Alegrete e o conde da Ericeira.
Anos mais tarde, em 1731, quando Sebastião José regressa de Soure a Lisboa, reúne-se de novo com os membros da Academia dos Ilustrados, tornando-se patrono deste pequeno grémio. Por outro lado, servindo-se da influência política do tio Paulo de Carvalho e Ataíde, o futuro conde de Oeiras tornar-se-à membro da Academia Real de História, em 24 de Outubro de 1733, sendo-lhe atribuída a tarefa de Frei Bernardo de Castelo Branco na escrita das crónicas dos reis D Pedro I e D. Fernando. Conhece-se a Prática de agradecimento pela nomeação de Sebastião José, (substituindo o diplomata José da Cunha Brochado, ex-censor da Academia Real), que não tendo grande virtuosismo literário, aponta a sua falta de meios para participar na vida da Academia, no entanto, dada a presença de D. João V, exalta o rei, ao mesmo tempo que, preconiza o poder da História como factor de abertura de caminhos novos ao país, tomando como exemplo o seu passado.
Já em 1721, Sebastião José publicara uma Carta laudatória de Júlio de Melo e Castro, autor da história dos feitos de seu tio, o 2º conde das Galveias, onde revela um bom conceito de história, ao mesmo tempo que frisa a vantagem de divulgar essa obra junto das outras nações cultas.
Depois da sua entrada na Academia, já em 1735, conhece-se uma Carta pública composta por Carvalho e Melo, onde felicita o conde do Vimioso pela publicação duma biografia do Infante D. Luís. Anos mais tarde, mais propriamente em 1743, já Sebastião José desempenhava a sua missão diplomática em Londres, a morte do seu amigo, D. Luís Carlos de Meneses, 1º Marquês do Louriçal, filho primogénito do conde da Ericeira, e que em 1740 fora nomeado Vice-Rei da Índia pelos bons serviços prestados no Oriente, fez com que o futuro Marquês de Pombal proferisse o Elogio fúnebre em sessão académica, cujo opúsculo parece ter sido impresso na capital inglesa. Este escrito, que se notabilizou por ser o único que demonstra o empenhamento académico de Carvalho e Melo, foi reimpresso em Lisboa, em 1757.
publicado por cempalavras às 23:07
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