Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

PENSAMENTO

 

CAMILO CASTELO BRANCO (1825-1890) – Escritor português.
 
- “A inconstância da mulher é uma das perfeições deste planeta.”
publicado por cempalavras às 22:15
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MIGUEL REAL

 

DA MEMÓRIA…JOSÉ LANÇA-COELHO
 
COMO CONHECI O MEU AMIGO, E ESCRITOR, MIGUEL REAL
 
            Após o 25 de Abril de 1974, facto histórico que me apanhou no 2º ano da Universidade, houve uma profunda reestruturação do curso de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa – na minha opinião, a reforma do curso não foi tão profunda quanto devia ser, pois apesar dos saneamentos, houve muitos professores sebenteiros, pró-regime deposto, e reaccionários, que tiveram artes de réptil que, conseguindo ziguezaguear e dando o dito por não afirmado, conseguiram manter a sua “vidinha”, como dizia Alexandre O’Neill (1924-1986).
            A verdade é que o ano lectivo seguinte, 1974/75, começou em Março de 1975, com uma vasta gama de “cadeiras”, que os alunos podiam escolher de acordo com os seus diversos critérios. A minha selecção recaiu em todos os professores que conhecera nos dois anos anteriores e que aliavam a um profundo saber, uma grande humanidade e disponibilidade para com os alunos.
            Entre esses Mestres (designo-os assim, apesar de na altura não haver a figura académica do Mestrado) destacava-se um jesuíta, que fora levado para a Faculdade pela mão do professor e escritor Vitorino Nemésio (1901-1978) e cujo nome é Manuel Antunes (1918-1985). Eu, nascido numa família republicana, democrática, laica e anticlerical, deixara-me fascinar pelo magistério pedagógico-didáctico desta sumidade, - a que nenhum catedrático queria fazer exame para que ele ocupasse semelhante estatuto académico, uma vez que sabia que a sua eloquência e saber eram fora do vulgar -, quando fora meu professor no primeiro ano do curso na “cadeira” de História da Cultura Clássica.
            Por tal motivo, no 3º ano, escolhi um seminário intitulado “Platão” que era dado pelo padre Manuel Antunes. Como se percebe pelo que atrás ficou dito, havia uma mistura de alunos de vários anos, pois estou em crer que não havia na Faculdade um aluno que não apreciasse a eloquência e a humildade deste verdadeiro poço de cultura. Eloquência e humildade, palavras que actualmente nos parecem tão antagónicas nesta crise de valores culturais em que vivemos, mas que só os grandes Homens sabem aliar.
            O seminário era dado numa sala de aula vulgar, teria talvez trinta e tal alunos que assistiam às sábias palavras do Mestre, numa primeira fase, e que, posteriormente, apresentavam trabalhos com toda a liberdade sobre as diferentes e variadíssimas temáticas que o título “Platão” pode encerrar.
            Ainda eu não apresentara o meu trabalho, assistindo já à apresentação de muitas comunicações de vários colegas, quando uma bela tarde, fui surpreendido pela novidade da temática apresentada por um colega que eu sabia ser do curso um ano ou dois atrás do meu. Um rapaz, um pouco mais baixo e mais novo do que eu, de cabelo encaracolado, acho que ainda não usava óculos por essa altura, com um discurso bem estruturado em termos lógicos e sabendo o que queria e o que dizia.
            A novidade era esta: uma análise marxista da problemática da escravatura na Grécia do século IV a.C., e em especial, na sociedade contemporânea de Platão. Devo confessar que tudo aquilo me fascinou por diversos motivos: 1º - porque nunca vira abordada semelhante problemática naqueles termos; 2º - porque nunca tive nenhuma tendência para a economia e por isso mesmo nunca me sentira atraído pela leitura do Capital de Karl Marx (1818-1883) que neste momento histórico português se lia como uma Bíblia; 3º - porque a reacção do Professor, foi da mais pura simpatia, ao mesmo tempo que, mostrava que conhecia a fundo esta obra amaldiçoada pelo salazarismo e pela Igreja Católica.
            O padre Manuel Antunes mostrava a grandiosidade da sua Pedagogia, não só ao corroborar certas ideias defendidas pelo meu colega, como também, ao mostrar que as conhecia. Como sempre houve uma discussão do trabalho, entre o apresentador, o Professor e toda a turma e, no final da aula, dirigi-me ao meu colega para lhe dar os parabéns e, também, para nos conhecermos melhor.
            O rapaz chamava-se Luís Martins, ficámos amigos e nunca mais esqueci aquela lúcida exposição que não se ficava pela Filosofia, mas enveredava por outras ciências sociais, nomeadamente, a História, a Economia e a Sociologia.
            Creio que no ano seguinte, ainda fomos colegas num seminário sobre “Aristóteles”, também orientado pelo padre Manuel Antunes, porém, com o 5º ano e o fim do curso, ambos começámos a dar aulas e, como é natural nestas coisas da vida, cada um seguiu o seu caminho e estivemos muitos anos sem nos encontrarmos.
            Como sempre, continuei a frequentar as livrarias e a estar atento a tudo o que saía de livros. Um dia, numa dessas digressões culturais, encontrei o João Francisco, um outro colega, este do meu curso, que já não via há anos. Entre as coisas que, fatalmente, se falam, quando se encontra um colega, é das pessoas que connosco viveram e partilharam tantos anos de magistério. O que é feito de fulano?, Nunca mais vi beltrana? E sicrano, sabes dele? Então não é que o João me pergunta, se eu dera pela saída de um livro que fazia uma análise sobre a obra do Nobel português, intitulado Narração, Maravilhoso, Trágico e Sagrado em Memorial do Convento, de José Saramago Sim, trata-se de um ensaio. Mas porquê?, indaguei. Foi aí que o João Francisco desvendou este mistério: - È que foi escrito por um tal Miguel Real, que é o pseudónimo do nosso amigo e colega, Luís Martins.
publicado por cempalavras às 22:09
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OS 250 ANOS DA PASSAGEM DE OEIRAS A CONCELHO

 

DA MEMÓRIA … JOSÉ LANÇA-COELHO
 
DEFENSORES E ATACANTES DO MARQUÊS DE POMBAL (II)
 
 
 
            O mito pombalino tem como subsidiário o mito negativo do complot jesuítico, sendo uma das obras mais lidas nas lojas maçónicas, como a Bíblia do antijesuitismo, a Dedução Cronológica e Analítica escrita sob a supervisão de Pombal, editada em 1767/8.
            Relativamente à problemática da iniciação de Pombal na Maçonaria, ainda hoje se desconhece tal facto, embora os historiadores se dividam nas suas opiniões. Por exemplo, enquanto Silva Dias e Ferrer Benimeli argumentam que não existem provas documentais que liguem o Marquês àquela instituição, por outro lado, Oliveira Marques e Alves Dias valorizam certos registos documentais que dão como certa a iniciação de Sebastião José numa loja maçónica de Londres.
            Por seu turno, os historiadores jesuítas denunciam a legitimação maçónica de Pombal, tentando tirar credibilidade à teoria da conspiração que estará na base da expulsão da Companhia de Loyola, como sendo uma mentira preparada no interior das lojas maçónicas.
            Vejamos agora a obra de um dos muitos acérrimos defensores do Marquês de Pombal, o mação e professor de Direito da Universidade de Coimbra, Emídio Garcia (1838-1904). O seu livro, intitulado O Marquês de Pombal. Lance d’olhos sobre a sua ciência, politica e administração; ideias liberais que o dominavam, Plano e primeiras tentativas democráticas (1869), surge na sequência de, por um lado, novas campanhas anticlericais e, por outro, após a publicação da Encíclica Quanta Cura (1864) e do seu celebérrimo anexo Syllabus Errorum do Papa Pio IX, onde os representantes máximos da igreja Católica preconizavam o afastamento do mundo moderno e dos seus valores.
            Na obra de Emídio Garcia, o Marquês de Pombal é apresentado como o pioneiro das liberdades alcançadas no século XIX pelo movimento liberal. Paradigmático, é o facto do governo ditatorial de Pombal ser reconhecido como um governo democrático ou liberal.
            Como transformador da História, Garcia preconiza duas atitudes, a revolucionária e a reformista, atribuindo a segunda ao Marquês, partindo da premissa que este, interpretando os grandes anseios do povo português, desejava paulatinamente mudar o destino de Portugal. Porém, o que não é sublinhado, são os processos de que Pombal se serve para fazer vingar essa opção ‘reformista’ e que, em ultima instância, seguindo o ‘despotismo esclarecido’, passa pela concentração de todos os poderes na pessoa do Primeiro-ministro, ao lado da estatização de todas as instituições.
            Augusto Comte, melhor dizendo Emídio Garcia, pois esse era o nome do filósofo positivista francês que o catedrático de Direito escolhera como pseudónimo, recorre também a um outro processo, muito seguido pela Ideologia, para endeusar a figura de Sebastião José, e que passa pela comparação com grandes vultos, políticos, filósofos e outros, do Antigo Regime. Como exemplo, atentemos na seguinte passagem do seu livro anteriormente citado, onde em meia dúzia de linhas se compara o conde de Oeiras a quatro grandes vultos do pensamento ocidental: «Como político propôs-se o plano e as medidas de Richelieu, (…) como economista e financeiro esforçou-se por imitar o grande estadista Sully; discípulo de Quesnay, aprendera com ele que é no solo que reside a principal fonte de receita e as matérias primas de toda a produção; como Adam Smith já não ignorava que só o trabalho pode arrancar à natureza os seus produtos(…)». (p. 19)
            Emídio Garcia exalta ainda a reforma pombalina da Universidade portuguesa, que, na sua perspectiva, teria contribuído para fornecer um novo alento às letras, ciências e artes, ao mesmo tempo que, tirou aquela instituição académica de uma decadência que se arrastava há dois séculos. É verdade que o ensino era livresco (sebenteiro), dogmático e anti-experimentalista e quem o dominava era a Companhia de Jesus, daí que, a expulsão dos Jesuítas do país, seja o clímax de um todo, onde se insere também a sujeição da Alta Nobreza, simbolizada no processo dos Távoras.
            Para além de tudo o que até aqui foi dito, devemos também salientar o anacronismo com que a obra de Pombal é analisada, não esquecendo que as teorias de Carvalho e Melo não correspondem às divulgadas pela Maçonaria no século XIX, que, fazendo da expulsão dos Jesuítas uma bandeira, congregava nas suas hostes o positivismo filosófico, o cientificismo versus superstição religiosa, e, o republicanismo, donde se pode concluir que, ao mito de Pombal se opõe o mito Jesuítico.
publicado por cempalavras às 22:02
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