Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

HISTÓRIA DA LITERATURA

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

 

CÉLINE – UM PERCURSO CONTROVERSO

 

 

CÉLINE nasceu em Coubervoie, a 27 de Maio de 1894, e faleceu a 1 de Julho de 1961.

Médico e escritor, anti-semita. Quando cai o regime de Vichy, foge com Pétain para Sigmaringen, na Alemanha. Depois, quando o regime nazi cai, foge para a Dinamarca. É julgado à revelia em Paris, e condenado a um ano de cadeia, e considerado uma ‘vergonha pública’. Amnistiado, volta a França em 1951. Morre 10 anos depois.

A partir de 1957, devido ao seu relato autobiográfico ‘sui generis’ torna-se um símbolo da ‘beat generation’).

Quando se encontrava em Sigmaringen com a sua mulher Lucette, o seu amigo La Vigue e o seu gato Bébert, entre os colaboracionistas e os outros fugitivos, num caos de refugiados de todas as nacionalidades, Céline fora já definido por Rádio Londres como «um inimigo do homem»; para toda a opinião pública do mundo livre já não era o grande escritor popular dos seus primeiros livros, que haviam denunciado o embrutecimento existencial e social, mas um traidor infame, o cúmplice dos nazis, o anti-semita dos panfletos contra os Judeus, agora encurralado e reduzido à escória do mundo como os carrascos nazis.

O seu absoluto torna-se distorção e ele acaba por pôr no mesmo plano todos os actores de alguma maneira relevantes da história, Hitler (1889-1945) e Léon Blum (Paris, 1872-1950; foi um politico socialista francês, judeu, que ocupou pela primeira vez o cargo de primeiro-ministro) na medida em que todos lhe surgem como igual expressão da vontade de poder, beneficiários do favor das massas e por isso detentores da força.

Como um messias dorido e culpado, identifica-se com os algozes nazis, porque os vê na derrota.

Num dos seus relâmpagos de grandeza, Céline reconhece por outro lado a futilidade de qualquer exibição de vitalismo pessoal: «Ma vie est finit, Lucie, je ne débute pas, je termine dans la littérature».

Sabe ter uma piedade pungente pelo individuo isolado, como pelos meninos com trissomia 21 (vulgo mongolóides), de que se ocupou durante a sua fuga através da Alemanha e em cujos olhos leu uma dignidade capaz de vencer o matadouro da história, mas não sabe reconhecer os seus próprios erros.

Nunca tem uma palavra de verdadeiro arrependimento após o extermínio dos Judeus, sendo incapaz de considerar a humanidade concreta de pessoas de quem não tenha tido um conhecimento directo, como o afirma o filósofo italiano Cláudio Magris, no seu livro Danúbio (pp. 43-44; 46).

publicado por cempalavras às 21:57
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

CONTO

         DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

 

A GUERRILHA RURAL DO SR. SILVA

 

         O Sr. Silva é um velhote de quase oitenta anos – ele recusa-se a dizer a sua idade seja a quem for e aqui na aldeia ninguém sabe ao certo as primaveras que já viveu – de quem tenho a sorte de ser vizinho aqui no Alentejo, pois o seu monte fica mesmo ao lado do meu.

         Há catorze anos que tenho a sorte de ouvir as suas sábias palavras. Com seis anos começou a guardar gado, dormindo debaixo de um chaparro, às vezes de guarda-chuva aberto, quando ‘o astro’ – como ele diz – se lembrava de despejar água aos potes cá para baixo. Andou à escola alguns meses, pois o trabalho não lhe permitia grandes luxos, mas mesmo assim escreve numa letra de médico os versos irónicos que inventa e me recita de cor diariamente. Tem uma memória fabulosa, sabe milhares de versos, inventados por si, mas quando um grãozinho de terra atrapalha o bom andamento da engrenagem e uma estrofe, a que ele chama uma ‘carreira’, não sai, lá se queixa

         - é a ‘calsete’ que emperrou mas ela já dá a volta e eu já me lembro

         E o Sr. Silva lembra-se sempre das palavras com que fustiga e brinca com o governo, com a trágica situação política e económica do país, com as mulheres, com nosso senhor, com a vida e com a morte.

         Foi ele que me ensinou a plantar as batatas, as favas, as couves, as alfaces, as ervilhas, a podar as oliveiras, as videiras, a enxertar as árvores de fruto, embora esta última tarefa nunca a tenha conseguido levar a bom termo. Há dias apanhou-me sentado numa pequena cadeira de verga a colher azeitonas, tinha eu os rins a rebentar com dores da desabituação destes esforços. O que ele se riu ao mesmo tempo que me atirou

         - ó sr. professor a trabalhar sentado! Eu trabalho bem é deitado!

         Que lhe havia de dizer? Ri-me e informei-o que a sua mulher passara aqui há pouco. Sabem o que me respondeu o Sr. Silva também a rir, com aquele ar malandro que o caracteriza?

         - deixá-la ir, só preciso dela logo à noite!

         E as expressões que tenho aprendido com o meu vizinho? São demais, com aquela naturalidade que só a natureza sabe transmitir às palavras. Ouçam esta, um dia perguntei ao Sr. Silva se no dia anterior chovera muito, ao que ele me respondeu

         - choveu um bocado, mas depois ‘escambou’ e não caiu mais água

         Citadino, desconhecendo a linguagem do campo, adoptei esta palavra como correcta, até que um dia a ler um livro de José Saramago, aprendi que a palavra certa era ‘escampou’.

         Há dias, quando este governo se lembrou de aumentar o IVA para 23%  e falou no PEC, fui visitar o meu vizinho que andava a plantar couves e alfaces. Andara atrás da burra a manhã inteira, a gradar a terra e, depois do solo arranjado, estava a dispor uma mão cheia daqueles legumes. Quando me viu, disse-me

         - ó vizinho ainda bem que apareceu, estava a pensar em ir levar-lhe uns pezinhos de couves para o caldo, e nem que o governo se pinte não recebe daqui nada para o IVA ou lá o que é isso, era o que faltava roubarem-me 23% duma coisa que eu é que tenho o trabalho todo para conseguir cultivar, ando ao vento e à chuva, aqui atrás da burra a apanhar coices, dobrado a tirar ervas, para os gajos lá de Lisboa, que não fazem nenhum e ganham fortunas, me virem tirar o pão da boca, isso é que era bom. Também já dei um molho ao compadre Chico e a mulher levou outro para casa do meu filho. E já meti na cabeça que tudo o que produzo e possa dar aos amigos e conhecidos, o governo não vai pôr a pata. Era o que faltava!

         Sem saber, o meu vizinho Silva, alentejano de boa cepa, fazia uma guerrilha rural contra as decisões impostas pelo governo, que, se fosse seguida por todos os agricultores, originaria uma tenaz insurreição contra as medidas que, à força lhes querem impor, sem sequer os consultarem. A ele com quem nunca se preocuparam, se tinha alimentos para comer, ou casa para o proteger das intempéries. Bem podem aumentar o IVA ou outros impostos que, não apanham o meu vizinho nas malhas das suas tristes artimanhas! Ele é auto-suficiente, apesar da nenhuma instrução que o Estado lhe deu!

publicado por cempalavras às 23:13
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HISTÓRIA DA CULTURA PORTUGUESA

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

 

1610 – 2010

 

O 4º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE JOÃO LOURENÇO

 

REBELO - UM COMPOSITOR INJUSTAMENTE ESQUECIDO

 

         O compositor português João Lourenço Rebelo nasceu em Caminha, no ano de 1610.

         Moço do coro da capela ducal de Vila Viçosa, desde o ano de 1624, onde aprendeu a arte musical, teve a sorte de receber a amizade do futuro rei D. João IV que, subiu ao trono em 1640, após a Restauração do trono português, ocorrida a 1 de Dezembro deste último ano, pondo fim ao domínio espanhol de sessenta anos dos Filipes (1580-1640).

         Ainda antes de D. João IV se tornar rei, e, sob a orientação do Duque de Bragança, D. Teodósio, pai do futuro rei, e fundador do Colégio dos Santos Reis Magos, formavam-se compositores que, por terem de apresentar os seus dotes perante um público, constituído essencialmente por membros da nobreza, e por isso mais exigente que os habituais frequentadores das igrejas, produziam obras mais elaboradas, já que a capela do palácio ducal tinha 24 cantores, ao contrário das igrejas que tinham apenas 4.

         Logo que João Lourenço Rebelo concluiu os seus estudos musicais, foi nomeado Mestre da Capela Ducal de Vila Viçosa, tornando-se professor do futuro D. João IV.

         Após a Restauração da Independência, João Lourenço Rebelo é transferido para a Capela Real de Lisboa, onde lhe são concedidos, primeiro, o título de fidalgo-cavaleiro da Casa Real e, depois, o de Comendador da Ordem de Cristo, o que, se, por um lado, lhe assegura regalias financeiras, por outro, permite-lhe proceder a uma aturada e completa investigação na fabulosa biblioteca musical de D. João IV, que era considerada a melhor da Europa, e que se perderá por completo no terrível terramoto que assola o país, e em especial, a cidade de Lisboa, no ano de 1755.

         Contactando com o melhor que se fazia no estrangeiro, nomeadamente, no que concerne ao estilo e a técnicas de composição, João Lourenço Rebelo inspirando-se nas tendências provenientes de Veneza, valoriza os coros e retira ao órgão a exclusividade do acompanhamento musical, trocando-o pelo válido contributo dos instrumentos de sopro.

         Em 1649, D. João IV redige um tratado que intitulou Defesa da música moderna contra a opinião errada do bispo Cyrilo Franco, e onde informa sobre a disposição de patrocinar a impressão tipográfica da obra sacra do seu antigo mestre, João Lourenço Rebelo, que, por seu turno, dedicou ao rei português uma missa para 39 vozes no dia do seu trigésimo nono aniversário.

         João Lourenço Rebelo, que faleceu na Apelação, Lisboa, a 16 de Novembro de 1661, compôs missas a 4, 5 e 6 vozes, coros a 10, 12, 17 e 20 vozes, salmos, magnificats, motetes, vilancicos, etc.

         Porém, parte da sua produção musical que tanto empolgou uma pessoa sabedora nesta matéria, como era o rei D. João IV de Portugal, desapareceu com o sismo de 1755.

 

         Se desejar ouvir a composição “Vésperas de Natal” de João Lourenço Rebelo, poderá fazê-lo na igreja matriz de Oeiras, no dia 5 de Dezembro, pelas 16 horas, integrada na Temporada de Música Antiga ‘Conde de Oeiras’, Flores de Música & Capela Joanina, sob a direcção de João Paulo Janeiro.

 

 

 

publicado por cempalavras às 23:10
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HISTÓRIA UNIVERSAL

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

 

SISSI – IMPERATRIZ IMORTALIZADA PELA 7ª ARTE

 

SISSI – IMPERATRIZ ISABEL DA BAVIERA, nasceu em Munique, a 24 de Dezembro de 1837 e, faleceu em Genebra, a 10 de Setembro de 1898, conhecida como Sissi da Áustria e da Hungria, casada com o Imperador FRANCISCO JOSÉ I, com quem casou com 16 anos.

Teve dificuldades em adaptar-se à etiqueta da corte de Habsburgo, o que a levou a entrar em depressão, para a qual contribuiu também, a solidão matrimonial, uma vez que o marido ocupado com a gestão do império, estava quase sempre ausente.

Em 1860, esteve na ilha da Madeira, depois de deixar Viena, diagnosticada com uma doença pulmonar, que devia ser psicossomática. Teve quatro filhos, mas foi impedida de exercer qualquer influência sobre eles, pala avó paterna, a rainha Sofia que se referia a ela, quando falava com os netos, como “a tola da vossa mãe”. Era anoréxica, fazendo dietas exageradas em que tudo era reduzido a líquido, chegando a ter 45 quilos, com a sua altura de 1, 73m. Teve diversos amantes. Lia numerosos livros gregos, interessando-se pela cultura grega antiga e contemporânea, e também pela língua grega, daí que a poesia que escreveu se refira à Grécia clássica, a temas românticos, e às suas viagens. Foi assassinada em Genebra, na Suíça, - quando saía do hotel e se deslocava para o barco onde ia passear no lago – por um anarquista italiano, Luigi Lucheni, que a golpeou no coração com um fino estilete em forma de agulha.

O cinema imortalizou-a através de quatro filmes, interpretada pela actriz Romy Schneider, onde a imperatriz era apresentada como uma mulher com uma personalidade íntegra e intocável, portanto, muito longe da realidade.

         Ouçamos o que diz Cláudio Magris, filósofo e escritor italiano, no seu portentoso livro Danúbio, acerca da imperatriz:

         “ Há em Sissi uma pureza hermafrodita, que detesta a natureza física do sexo e só sabe amar na submissão e na ausência.

         Na sua exaltação, a imperatriz pensava que os seus versos, banais e muitas vezes ocos, lhe eram ditados do além, através de um contacto mediúnico, por Heine. Isabel escreve realmente «à Heine», segundo a melodia e o reportório lírico heiniano que no século XIX, descobria inúmeros imitadores e repetidores, a ponto de formar uma autêntica linguagem poética estereotipada.

         A poesia de Sissi não reside na sua obra escrita, menos do que medíocre, mas na tensão entre uma dor solitária e a generalidade da sua expressão. As poesias da imperatriz são um diário poético de toda a gente e de ninguém; mas este destino, que aproxima a soberana de tantos literatos mais afortunados, faz dela uma personagem pequena mas real no mundo da literatura, no diálogo repetido entre a voz do coração e as «palavras, palavras, palavras». ( Cláudio Magris, Danúbio, pp. 193-195)

 

publicado por cempalavras às 23:08
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CONTO

DA MEMÓRIA … JOSÉ LANÇA-COELHO

 

8 OU 9, EIS A QUESTÃO

 

            O homem fazia do número nove, o algarismo da sua vida.

Nascera no dia nove de um mês qualquer. Também a nove de outro mês conhecera a mulher da sua vida, ou pelo menos assim a classificara, enquanto vivera com ela. A nove dum outro mês nascera o seu primeiro filho. Ainda a nove de qualquer mês tivera o seu primeiro e grande êxito da sua vida profissional que, afirmando-se na música, também se relacionava com a poesia.

Ao longo da sua vida, preenchida com inúmeros êxitos, fizera do nove, um talismã em que acreditava piamente, o que o levou a escrever uma canção que se chamava precisamente “Número Nove”.

O seu êxito foi tão retumbante que, se tornou num dos homens mais conhecidos do universo. Em qualquer latitude da Terra, a sua cara era identificada pelo cidadão mais comesinho de qualquer país, inclusive, nas muitas ditaduras que grassavam no planeta, que, embora o tivessem banido, não conseguiam ofuscar-lhe o seu fulgor, apagar-lhe a sua imagem.

Houve até uma revista norte-americana que, nos idos anos sessenta do século XX, o considerou uma das três personalidades mundiais, ao lado de dois presidentes de nações.

O número nove era como a poção mágica em que Obélix caíra quando era criança, e lhe dera uma força sobrenatural para se opor aos Romanos.

Numa palavra, quando o nove estava envolvido em qualquer assunto, o homem acreditava que nada lhe podia acontecer, porque ele tinha a convicção da estreita relação, metafísica e mágica, existente entre os números e as pessoas, ou melhor dizendo, entre os algarismos e as almas dos mortais.

Todos os dias nove de cada mês, o homem comia e bebia tudo o que sabia que lhe podia fazer mal à saúde, metia-se no carro e acelerava que nem um louco, numa palavra, fazia tudo o que humanamente lhe era interdito, pois sabia que estava protegido pelo espírito do número em que se escudava.

O homem em questão era oriundo do velho mundo, da Europa, onde vivera os seus primeiros trinta anos, depois mudara-se para o novo mundo, a América dos sonhos dourados, não que precisasse de dinheiro, mas, porque Nova Iorque se tornava cada vez mais o umbigo do mundo moderno.

Após uma paragem de alguns anos, o músico e poeta voltara a gravar as canções que tão bem compunha e regressara à crista da onda. Estava, de novo, no auge. Amado pelos seus inúmeros fãs em todo o mundo.

Um dia, ao sair do seu apartamento nova-iorquino para gravar um novo disco, foi abordado por um fã que, lhe pediu um autógrafo. Deu-o e foi para o estúdio.

Ao princípio da noite, quando regressou a casa, deparou-se com o mesmo fã que o esperava, de novo, junto à porta do seu apartamento de luxo.

Instado para dar um novo autógrafo, preparou-se para o fazer, só que, desta vez, não o conseguiu, pois o fã disparou um revólver contra o seu peito.

Levado para o hospital, acabou por morrer.

Mas, era dia nove! Como é que o seu número da sorte falhara?

A explicação era bem simples. Na verdade, já era dia nove na Europa, onde ele nascera, só que na América era ainda a noite do dia oito.

O feitiço do nove só funcionava no continente onde o homem nascera, desde que ele lá estivesse…

 

Escrito a 8 de Dezembro de 2010, em homenagem a John Lennon, no trigéssimo aniversário do seu brutal assassínio.

 

publicado por cempalavras às 23:03
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