Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

HISTÓRIA DO CONCELHO DE OEIRAS

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

O CONCELHO DE OEIRAS HÁ 112 ANOS (I)

         Há 112 anos, o concelho de Oeiras, - nomeadamente, as freguesias de Algés, Carnaxide, Dafundo e Paço de Arcos -, era alvo de diversas menções no “Diário de Notícias”, por variadas razões.

         Seguindo a ordem cronológica com que surgem as referências às freguesias enunciadas, no citado jornal, comecemos por Carnaxide, com uma notícia de 5 de Junho de 1899, intitulada «Festa de operários católicos», onde se começa por dizer que, no dia anterior, tinham partido para esta localidade, os referidos operários, «acompanhados da banda da officinas de S. José, associação das Filhas de Maria, três crianças vestidas de virgens, sacerdotes, etc.». É curioso notar que, «durante o trajecto foram entoados cânticos religiosos». Depois, ao chegarem a Carnaxide, «visitaram, com natural curiosidade, a interessante gruta da Senhora da Conceição».

         O “Diário de Notícias”, depois de afirmar que, «houve concorrida sessão solemne sob a presidência do sr. Núncio Apostólico, secretariado pelos srs. arcebispo de Braga, general Maldonado, D. Francisco Peixoito de Borboun e conde de Figueira (D. Luiz)», informa-nos quem foram os oradores da função «os srs. dr. Alçada de Paiva, conde de Bertiandos, cónego Ayres Pacheco e padre Vasconcelos», bem como, quem liderou a concorrida assistência de damas e cavalheiros, como são os casos paradigmáticos das «condessas de Bertiandos e da Figueira».

         Como se pode constatar, a poderosa aliança Trono e Altar continua a afirmar-se com toda a sua pujança, oito anos antes do Regicídio e dez antes da implantação da República.

         Sete dias depois, isto é, a 12 de Junho de 1899, o “Diário de Notícias” traz uma referência a um episódio ocorrido em Paço de Arcos, no mar, e comunicada para o referido matutino pelo seu correspondente nesta localidade piscatória. Relata a notícia que «cerca das 2 horas da tarde, ao passar defronte d’esta  bahia, virou-se uma canoa de pesca pertencente ao sr. Catatau, de Cascaes.» Acrescenta a notícia que, os três homens que seguiam na canoa foram salvos pelo pessoal dos barcos torpedeiros ancorados em Paço de Arcos, que em escaleres foram em seu auxílio. Salvaram-nos e rebocaram a canoa virada para terra, que, depois de esgotada a água, seguiu a sua atribulada viagem para Cascais.

         Foi nossa intenção conservar a grafia das notícias transcritas, para tecermos algumas considerações sobre o novo acordo ortográfico, contra o qual sempre estivemos, sobretudo, por a grafia das palavras agora alteradas cada vez mais se afastarem da sua origem latina. Porém, os vocábulos transcritos do “Diário de Notícias” ainda escritos seguindo as regras do final do século XIX, mostram como é forçoso haver uma evolução da língua.

         Vejamos então alguns exemplos: na notícia relativa a Carnaxide, a palavra ‘officinas’ dobrava a letra ‘f’; em ‘solemne’ a letra ‘m’ não é pronunciada; ‘Luiz’ escrevia-se com ‘z’ em vez do ‘s’ actual; e, ‘Ayres’ escrevia-se com ‘y’ embora foneticamente o som seja de um ‘i’.

         Na segunda notícia, na expressão ‘d’esta bahia’ o ‘d’ é grafado com apóstrofo para fazer a elisão com ‘esta’, enquanto ‘bahia’ apresentava um ‘h’ mudo já caído; ‘Cascaes’ escrevia-se com ‘e’ ao contrário do ‘i’ actual.

         Perante as diferenças assinaladas nas palavras destacadas, é forçoso chegar à conclusão que, a evolução da língua é, apesar de tudo, uma necessidade, pois se assim não fosse, ainda escreveríamos, por exemplo, ‘Cammilo’ com dois ‘m’.

publicado por cempalavras às 23:18
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HISTÓRIA DO DESPORTO

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO    

 

PARABÉNS EUSÉBIO!

 

         Aqui estou Eusébio, meu ídolo imortal, a dar-te os parabéns por esta dupla efeméride – 50 anos de Benfica e 69 de idade. Tinha 10 anos quando chegaste ao meu Benfica. Fiquei impressionado por no teu primeiro jogo, contra o saudoso Atlético, teres logo marcado três golos. Comecei a admirar-te e, ao contrário dos miúdos meus amigos, que escolhiam um nome dum jogador estrangeiro – do Milan, do Inter, do Real, Madrid – para jogarem com o nome dele, eu passei a escolher o teu. Ao princípio gozavam-me, mas isso foi por pouco tempo, pois tu, logo impuseste o teu esquisito e pouco habitual nome (nunca ouvira falar em Eusébio na vida) no futebol nacional e internacional.

         A partir dos meus 13 anos comecei a ir com um tio, ao velho Estádio da Luz, todos os domingos, para te ver jogar e marcar golos incríveis, qual deles o melhor e o mais fantástico. Por essa altura, já o Benfica se sagrara bicampeão da Europa em futebol, e eu assistira a tudo, no televisor lá de casa, a preto e branco. O meu benfiquismo começara aos oito anos, por influência da minha empregada, que era sócia do Glorioso.

         A partir daqui, estive em todos os desafios que realizaste no nosso estádio ao domingo à tarde, nos que passavam na televisão à noite e que contavam para as competições europeias e para uma competição de selecções militares quando estiveste na tropa, e todos os que jogaste no Estádio Nacional, no Jamor, com a Selecção Nacional. É desta época, uma das minhas maiores decepções de adolescente e que se conta em duas linhas. Sempre que os treinos da Selecção Nacional calhavam em tempos de férias escolares, lá ia eu com os meus amigos para o Estádio Nacional, ver-te a ti e aos outros jogadores que nos empolgavam e nos tornavam os sonhos mais coloridos. No caminho entre os balneários e o relvado principal, cruzei-me contigo. Vinhas a falar com o Artur Jorge, creio que ainda jogador da Académica de Coimbra e que chegou a ser meu colega na Faculdade de Letras de Lisboa. Eu não acreditava no que acontecia! Um miúdo como eu, ao lado do seu ídolo do futebol! Mas tu passaste Eusébio e, como não me conhecias de lado nenhum, nem para mim olhaste. Não imaginas o desgosto que foi para mim, adolescente a rebentar de sonhos! Mas nem por isso deixei de continuar a seguir a tua carreira, uma vez que, não eras só tu, mas também o Benfica, que me encantava!  

         Assisti a todos os teus desafios até te reformares. Digo-te, sinceramente, que na minha opinião de “treinador de bancada” foste o melhor jogador do mundo do teu tempo. Além disso, eu acho que um jogador de futebol é um artista, e como a arte é subjectiva, dependendo da opinião de cada sujeito. Assim, se não posso dizer que, Picasso é melhor pintor que Dali, nem que Saramago é melhor escritor que Lobo Antunes, também não posso afirmar que Pelé, Maradona ou outro, é melhor que Eusébio.

         Por isso termino dizendo que, Eusébio foi o melhor jogador do seu tempo e que eu tive a sorte de ver jogar, e dando-lhe os meus sinceros parabéns pelas duas efemérides que agora se comemoram – os seus 50 anos de jogador do Benfica e os 69 anos de idade. Obrigado Eusébio, por tudo o que me deste a viver!!

   

 

publicado por cempalavras às 23:14
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