Domingo, 29 de Dezembro de 2013

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«SHORT-STORY» BY JOSÉ LANÇA-COELHO

 

 

ECONOMIA

    - Doutor, desculpe a minha intromissão no seu trabalho, mas deve haver aqui algum engano. Diagnosticaram-me um atrofiamento da próstata e estão a dar-me uma pilula anticoncepcional – disse o doente.

    - Então e o senhor não sabe que o ministro da saúde nos mandou fazer economias de todo o tipo, incluindo os remédios, e que nos penaliza se gastarmos mais dinheiro em medicamentos do que o ano passado. Assim, estamos a aproveitar uma campanha vinda do 3º mundo para diminuir a natalidade, em que distribuem, inteiramente grátis, pilulas anticoncepcionais às mulheres. E, ao fim e ao cabo, próstata e anticoncepcionais, vai tudo dar ao mesmo, pois ambos respeitam ao aparelho reprodutor.

publicado por cempalavras às 21:43
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Sábado, 28 de Dezembro de 2013

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«SHORT-STORY» BY JOSÉ LANÇA-COELHO

 

 

 

REI PICASSO

    Quem não conhece a palavra Picasso, tanto mais que agora até existem automóveis com essa marca. E os que se interessam mais pela cultura, até sabem que Pablo é o primeiro nome do grande homem das artes plásticas. O que a maioria não sabe é que Picasso tem um nome tão comprido como qualquer monarca. Tomemos como exemplo, o nome do rei português, D. Carlos I: Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gotha, e registemos agora o nome completo do famoso artista: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso. O que me leva a questionar: será que Picasso é rei?

publicado por cempalavras às 22:29
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Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2013

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«SHORT-STORY» BY JOSÉ LANÇA-COELHO

 

 

DETRACTORES

 

   

                          - O que são detractores? – perguntou um.

   

                           - São tipos que nos atacam com veículos agrícolas motorizados, equipados ou não, com alfaias - respondeu o outro.

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Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013

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POEMA DE JOSÉ LANÇA-COELHO

 

CONTEMPLANDO

 

O balir do rebanho

é tão antigo, como

o sentir da minha alma.

 

O gorjeio dos pássaros

(pre)enche o meu respirar

com o auxílio do sol.

 

O latir dos cães,

é o sangue a escorrer

pelas minhas veias.

 

No milenar passar dos dias,

ouço a erva brotar da terra,

que um dia me há-de cobrir.

 

Na Natureza nunca há morte,

apenas mudança de estado,

se hoje sou carne corruptível,

amanhã serei, talvez,

árvore para regar.

 

 

 

 

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Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013

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POEMA DE JOSÉ LANÇA-COELHO

 

NATAL

 

Sei que não entras na chaminé,

Sei que não cabes dentro dum sapato,

Sei que não ficas no interior duma meia,

Mas a verdade é que não arredo pé,

Apenas quero um presente pelo Natal.

 

O Menino Jesus,

O Pai Natal,

Ou quem quer que seja o distribuidor

Da melhor noite do ano,

Saiba que,

Não abdico de ti!

 

7 de Dezembro de 2013

publicado por cempalavras às 19:34
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                                                                   «SHORT-STORY» BY JOSÉ LANÇA-COELHO

 

                                                                                 DEUS É TUDO

 

 

- Não sei como podes achar que o homem vem do macaco, como sustenta Darwin – disse o padre.

 

- E a mim, ainda me custa mais a compreender, como é que um membro da igreja que proclama ser a seguidora da mensagem de Deus, não aceita que, macaco e homem, são, apenas, dois elementos dos muitos que, constituem a perfeita criação divina. Acaso a obra do Criador sofre alguma mácula, por o macaco estar na base de uma obra que se foi aperfeiçoando com a especialização? Defendo definitivamente que não! – exclamou o «Cara de Macaco», alcunha que lhe tinham atribuído desde a infância, pelas grandes semelhanças com um símio.

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Domingo, 22 de Dezembro de 2013

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MOMENTO SUBLIME

 

“Il faut cultiver notre jardin”

                                     VOLTAIRE

 

 

 

Talvez que o momento mais sublime da natureza,

seja ao fim da tarde, antes do Sol se deitar,

um homem regar o jardim e o pomar,

e sentir tudo que o rodeia a respirar.

 

JOSÉ LANÇA-COELHO

 

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Sábado, 21 de Dezembro de 2013

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«SHORT-STORY» by JOSÉ LANÇA-COELHO

 

 NATAL

    Depois de duas horas de conversa com o polícia que o levou para a esquadra, e aquele o ter convidado para um copo de champanhe, confessou que não suportava bebidas alcoólicas, e que só tinha roubado uma garrafa de vinho no supermercado, para ser preso e não passar sozinho mais uma noite de Natal.

publicado por cempalavras às 22:24
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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

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PROTESTO !

 

 

Lamento sr. primeiroministro,

Sei que lhe dou cabo da votação,

E das contas, mas chegar a velho,

-Como é das leis da natureza -

Sempre foi a minha maior intenção.

 

Descontei e não foi pouco,

Com a finalidade de pagar,

Remédios e internamentos

Despesas da casa, um semanário

E um livro mensalmente comprar.

 

Lamento sr. Primeiroministro,

Mas não fui eu que o Estado delapidei,

Que nos bancos roubei.

A tudo que me obrigaram,

Mesmo não concordando,

Eu sempre paguei.

 

Não pude nunca fugir a nada,

Impostos, taxas e IVA,

Eu sou o que sustenta a escumalha,

O funcionário público Zé Silva.

Os meus paraísos fiscais,

Era quando apurados os impostos,

Não tinha de pagar a mais.

 

Lamento sr. Primeiro ministro,

Mas abomino a sua intenção,

Tenho todo o direito de exigir

Que não me cortem os subsídios.

Como também, a pensão.

 

 JOSÉ LANÇA-COELHO

publicado por cempalavras às 23:18
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Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

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ALBERT CAMUS (1913-2013)

1º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO

        Albert Camus nasceu em 7 de Novembro de 1913, na pequena aldeia de Mondovi, na Argélia, filho de um trabalhador agrícola descendente de colonos pobres franceses, que morreria na batalha do Marne durante a 1ª Guerra Mundial, quando Camus tinha um ano de idade.

        A mãe de Camus, descendente de imigrantes espanhóis, mudou-se com os dois filhos para Argel, logo que enviuvou, passando a habitar o bairro de Belcourt, onde Albert passou a sua infância e adolescência, conhecendo inúmeras necessidades materiais.

        Durante a escola primária, revela-se um aluno brilhante. O seu professor, Louis Germain, interessa-se pelo jovem, conseguindo que lhe fosse concedida uma bolsa de estudos para continuar o ensino secundário.

        O ano de 1930 é uma data importantíssima na biografia de Camus, pois é nele que se delineia o futuro do grande escritor. Por um lado, ainda antes de completar os dezassete anos, entra na Faculdade de Letras, onde outro professor, Jean Garnier, irá ter grande influência sobre ele, após descobrir as suas qualidades. É ele que o desperta para a filosofia e, o leva a querer ser escritor; por outro, e já com os 17 anos feitos, contrai uma tuberculose que o arreda da carreira universitária, conduzindo-o para o jornalismo, que exercerá ao lado de Pascal Picabia.

        A tuberculose mostra-lhe a solidão e a mortalidade a que todo o ser humano está sujeito. Camus encara-a como uma doença «metafísica», e deleita-se com a leitura de dois livros, A Montanha Mágica de Thomas Mann e o Diário de Katherine Mansfield. Porém, as suas leituras não se ficam por aqui, mostrando um grande ecletismo que passa por escritores tão díspares como, Epicteto, Kierkegaard, Malraux, Gide, Proust, Dostoievski.

        Apesar da doença, Camus pratica desporto, nomeadamente, futebol, jogando a guarda-redes no Racing Universitário de Argel.

        Camus estreia-se nas Letras, em 1932, com Ensaio sobre a Música, interpretação romântica do Nascimento da Tragédia do filósofo alemão Nietzsche.

        Dois anos depois, motivado pelo convívio com os argelinos pobres, adere ao Partido Comunista Francês, (que abandonará em 1936), desenvolvendo intensa propaganda política entre os árabes.

        Em 1935, dando azo ao seu profundo interesse pelo teatro, fundou o grupo Théâtre du Travail, com o qual fará uma digressão pela Argélia, com a peça colectiva Revolta nas Astúrias. Tanto neste grupo, como no seguinte, Théâtre de l’Équipe, Camus ocupará todos os lugares da arte cénica, autor, actor, encenador, desempenhando, entre outros papéis, o de Ivan em Os Irmãos Karamazov de Dostoievski, e, o Don Juan de Puchkine.

        Em 1937, publica O Avesso e o Direito.

No jornalismo é redactor no diário liberal «Alger Républicain» que rivalizava com a imprensa oficial, e onde Camus denunciava as injustiças do colonialismo. O início da 2ª Guerra Mundial em 1939 e a censura à imprensa vêm coartar a sua actividade jornalística, embora Albert tente contornar a situação através do humor, porém, os censores não compartilham desta receita, e assim, no ano seguinte (1940), Camus é aconselhado pelo governador-geral a abandonar Argel. Dirige-se, então, a Paris, onde será secretário de redacção no «Paris-Soir».

        1940 é um ano de grande actividade literária, em que Camus escreve a primeira versão de Calígula, Núpcias e, O Estrangeiro, começando também a escrever O Mito de Sísifo.

        Em 1942, Camus passa a trabalhar na editora Gallimard. As suas obras cuja temática são o absurdo, juntamente com o amor pelo teatro, irão ligá-lo a Sartre e à sua companheira Simone de Beauvoir, e ao «Existencialismo», do qual nunca fará parte.

        Em plena 2ª Guerra Mundial, durante a ocupação alemã da França, Camus participa na resistência, dirigindo o jornal clandestino «Combat», ao mesmo tempo que, publica clandestinamente, as primeiras Cartas a um Amigo Alemão, onde manifesta a sua oposição ao absurdo, ao mesmo tempo que, mostra compreender os extremos que podem conduzir a determinadas interpretações do pensamento nietzscheniano. 

        Após a 2ª Guerra Mundial, a obra de Camus atinge uma maior notoriedade, como é exemplo significativo O Estrangeiro (1942), que se torna um campeão de vendas. Ao mesmo tempo, as suas peças O Equívoco (1944), Calígula (1945), e, Estado de Sítio (1948), são representadas nas datas que se encontram entre parêntesis.

        1951 é o ano que marca o rompimento entre Camus e Sartre, e o afastamento definitivo do primeiro do «Existencialismo». Ambos os factos derivam de um ataque feito pela revista «Temps Modernes».

        O rompimento com o Existencialismo a par duma incapacidade para escolher um dos lados do conflito argelino, valeram-lhe inúmeros ataques e incompreensões.

        Embora o existencialismo francês radique, entre outros, em três filósofos charneira – Heidegger, Husserl e Kierkeegaard – que, por sua vez e, pela mesma ordem, servirão de inspiração a, Sartre, Merleau-Ponty e Gabriel Marcel, ele apresenta uma matriz original que, se afirma como um produto típico do espírito francês. É neste contexto que se insere Albert Camus, mas apenas no campo do ensaio, e não como um filósofo existencialista, uma vez que, apenas absorve desta filosofia o projecto do ser estranho ao mundo e das formas com que se apresenta o absurdo.

Relativamente a Heidegger, Camus aflora-o apenas, na época de O Ser e o Tempo, e, Kant e o Problema da Metafísica, servindo-se dos conceitos da inquietação, do medo e do existir para a morte, e da asserção implícita na segunda obra heideggeriana, «que o mundo nada mais pode oferecer ao homem angustiado». Porém, de um ponto de vista histórico, foi nesse filósofo que a consciência do absurdo encontrou a sua inicial articulação conceptual.

Ainda tendo Heidegger como «ponto de mira», Camus debruça-se sobre a época da interpretação de Holderlin e Nietzsche, bem como a última filosofia heideggeriana do ser, isto é, a da sua interpretação da linguagem ou a da filosofia que tem por base a sabedoria etimológica da língua, e aqui, o autor de O Mito de Sísifo, afirma a sua não revolta no absurdo da imanência, bem como o seu caminhar em direcção à transcendência e, por consequência, ao pensamento mítico.

        Em 1957, Camus ganhou o Prémio Nobel da Literatura.

        A 4 de Janeiro de 1960, Albert Camus faleceu vitimado por um acidente de automóvel, quando regressava a Paris. O desastre deu-se numa recta, onde já se tinham verificado outros acidentes. Louis Pauwels e Jacques Bergier no seu livro O Despertar dos Mágicos (1960) explicaram a causa de todos estes inexplicáveis acidentes num local que, do ponto de vista rodoviária, não constituía qualquer perigo. Os dois escritores viram que existia num dos lados da estrada um bosque, e que, a uma determinada velocidade de um veículo, o sol que passava entre as árvores que constituíam o bosque já referido, batia nos olhos do condutor, num determinado tempo de intervalo, que afectava o cérebro de quem guiava. Era essa a causa dos inexplicáveis despistes numa recta sem nenhuma perigosidade.

        Quando faleceu, Albert Camus terminava um novo romance, intitulado O Primeiro Homem, que foi publicado em 1994.

 

JOSÉ LANÇA-COELHO

publicado por cempalavras às 23:38
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